quinta-feira, maio 15, 2008

A Lista - Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

terça-feira, abril 15, 2008

Perseverando

"...O olho do homem é feito de modo que se lhe vê por ele a virtude. A nossa pupila diz que quantidade de homens há dentro de nós. Afirmamo-nos pela luz que fica debaixo da sobrancelha. As pequenas consciências piscam o olho, as grandes lançam raios. Se não há nada que brilhe debaixo das pálpebras, é que nada há que pense no cérebro, é que nada há que ame no coração. Quem ama quer, e aquele que quer relampeia e cintila. A resolução enche os olhos de fogo; admirável fogo que se compõe de combustão dos pensamentos tímidos."
"Os teimosos são os sublimes. Quem é apenas bravo tem só um assomo, quem é apenas valente tem só um temperamento, quem é apenas corajoso tem só uma virtude; o obstinado na verdade tem a grandeza. Quase todo o segredo dos grandes corações está nessa palavra: - Perseverando. A perseverança está para a coragem como a roda para a alavanca; é renovação perpétua do ponto de apoio. Esteja na terra ou no céu o alvo da vontade, a questão é ir a esse alvo; no primeiro caso, é Colombro, no segundo caso é Jesus. Insensata é a cruz; vem daí a sua glória. Não deixar discutir a consciência, nem desarmar a vontade, é assim que se obtém o sofrimento e o triunfo. Na ordem dos fatos morais o cair não inclui o pairar. Da queda sai a ascensão. Os medíocres deixam-se perder pelo obstáculo especioso: não assim os fortes. Parecer é o talvez dos fortes, conquistar é a certeza deles. Podeis dar a Estêvão todas as boas razões para que ele não se faça apedrejar. O desdém das objeções razoáveis cria a sublime vitória vencida que se chama o martírio."

Hugo, Victor. Os Trabalhadores do Mar. (1866) p. 280-281.

sábado, abril 12, 2008

Why Does It Always Rain On Me - Travis

I can't sleep tonight
Everybody's saying everything is alright
Still I can't close my eyes
I'm seeing a tunnel at the end of all of these lights
Sunny days, where have you gone?
I get the strangest feeling you belong

Why does it always rain on me?
Is it because I lied when I was seventeen?
Why does it always rain on me?
Even when the sun is shinning I can't avoid the lightning

I can't stand myself
I'm being held up by invisible men
Still life on a shelf when
I've got my mind on something else
Sunny days, oh where have you gone
I get the strangest feeling you belong

Why does it always rain on me?
Is it because I lied when I was seventeen?
Why does it always rain on me?
Even when the sun is shining I can't avoid the lightning

Oh where did the blue sky go?
Oh why is it raining so?
It's so cold

terça-feira, março 18, 2008

Sobre a Beleza e Deruchette

Neste mundo, o lindo é o necessário. Há muito poucas funções tão importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se não houvesse o colibri! Exalar alegrias, irradiar venturas, possuir no meio das coisas sombrias uma transudação de luz, ser o dourado do destino, a harmonia, a gentileza, a graça, é favorecer-te. A beleza basta ser bela para fazer bem. Há criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quanto a rodeia; às vezes nem ela mesmo o sabe, e é quando o prestígio é mais poderoso; a sua presença ilumina, o seu contato aquece se ela passa, ficas contente, se pára, és feliz; contemplá-la é viver; é a aurora com figura humana; não faz nada, nada que não seja estar presente, e é quanto basta para edenizar o lar doméstico; de todos os poros sai-lhe um paraíso; é um êxtase que ela distribui aos outros, sem mais trabalho que o de respirar ao pé deles. Ter um sorriso que - ninguém sabe a razão - diminui o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes, que queres que te diga? É divino. Deruchette tinha esse sorriso. Mais ainda, era o próprio sorriso. Há alguma coisa mais parecida que o nosso rosto, é a nossa fisionomia; e outra mais parecida que a nossa fisionomia, é o nosso sorriso. Deruchette risonhoa, era Deruchette.

Hugo, Victor. Os Trabalhadores do Mar. (1866) p. 66.

Sobre Deruchette

"O corpo humano é talvez uma simples aparência, escondendo a nossa realidade, e condensando-se sobre a nossa luz ou sobre a nossa sombra. A realidade é a alma. A bem dizer, o rosto é uma máscara. O verdadeiro homem é o que está debaixo do homem. Mais de uma surpresa haveriua se se pudesse vê-lo agachado e escondido debaixo da ilusão que se chama carne. O erro comum é ver no ente exterior um ente real. Tal criaturinha, por exemplo, se pudéssemos vê-la como realmente é, em vez de moça, mostrar-se-ia pássaro."

Hugo, Victor. Os Trabalhadores do Mar. (1866) p. 65.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

A Cidade do Sol

Usualmente eu não torço pelos finais felizes. Nada contra, mas são pouco interessantes, irreais mesmo. Mas é claro que uma boa história, com um bom argumento e elementos surpreendentes não se torna ruim apenas por terminarem bem!
De qualquer maneira, existem histórias tão tocantes que provocam em minha mente uma verdadeira torcida. Livros e filmes que de tão tristes, trágicos ou reais pedem um desfecho mais ameno!
É o caso deste livro, de Khaled Hosseini (autor de "O Caçador de Pipas", que eu não li, nem vi o filme). Me flagrei hoje lendo com uma angústia, torcendo mesmo pelas personagens. Poucos livros tem me entretido tanto! Infelizmente me entretem justamente por ser tão real, tão triste e tão próximo.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

"Essa é a intenção de todos vocês [...]: encontrar um tesouro e em seguida comê-lo sozinho, refestelados no egoísmo e na vagabundagem. Gostam de gritar contra os ricos, mas não têm coragem de dar aos pobres o dinheiro que a sorte lhes envia... Vocês nunca serão dignos da felicidade enquanto possuírem alguma coisa, enquanto esse ódio aos burgueses for apenas o desejo desesperado de serem burgueses também."

Suvarin, anarquista russo, personagem de Germinal, de Émile Zola (1885).