quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Brasil 2011

Tenho pensado muito sobre muitas coisas nos últimos dias, mas com a correria (e uma certa dose de desleixo também) tenho deixado de escrever. O "tema de hoje" é a maneira como enxergo o conceito de Estado ou Nação. Pode parecer simplista, por não se aplicar a realidade da imensa maioria das nações atualmente, ou pode parecer Capitalista, Neoliberal ou qualquer outro "xingamento" que se tornou recorrente em nosso país. Não consigo me enquadrar nesses rótulos, não por que tenha algum outro, mas porque não tenho talvez conhecimento suficiente de cada um e de todos os outros para realizar a diferenciação. Mas entendo o seguinte:
Um Estado é uma iniciativa de seu próprio povo. Em tese, um Estado nada mais é do que um empreendimento comum a todo um conjunto de pessoas. Normalmente esse grupo tem alguma origem comum, seja étnica, cultural ou apenas histórica (como é o caso brasileiro - várias etnias, várias culturas, uma história em comum).
Por sua vez um povo é composto por indivíduos, sócios. cada indivíduo é um pequeno empreendedor, desenvolve seus próprios negócios. Quem não é "dono de algum meio de produção" (como diria Marx) é, no mínimo, dono de sua própria força de trabalho. No seu cotidiano, esses indivíduos tem uma série de responsabilidades e interesses, focados na administração daquilo que está sob a sua alçada: casa, carro, trabalho, empresa, filhos, esposa, lazer, etc.
Mas, em determinado momento de sua história, os indivíduos se enxergam como povo e reconhecem semelhanças e interesses comuns, além de necessidades comuns entre si. Também reconhecem que há determinadas necessidades que cada um não consegue atingir. O indivíduo percebe que sozinho não é capaz de desenvolver seus potenciais nas áreas de maior interesse, porque precisa dar conta de uma série de outras atividades com as quais não se identifica. Surge a possibilidade de uma certa divisão de responsabilidades, de tarefas. Cada qual assumindo atividades para as quais tem vocação, ou maior capacidade, talento. As primeiras sociedades se estabelecem: o caçador, o coletor, o pajé, o cacique, o guerreiro.
Com o seu desenvolvimento, essa sociedade se torna mais exigente, mais complexa, surgem novas necessidades, novas possibilidades também. Pode ser que surja a burocracia, a necessidade de um corpo regular de segurança (surge o conceito de "monopólio da força", por parte de uma polícia ou das forças armadas), a hierarquia, o comércio. E surgem sociedades próximas, com as quais é necessário manter relações, seja de comércio, seja de disputa territorial.
As necessidades vão se tornando mais complexas, e os indivíduos, sócios deste sistema, criam uma instituição que terceirizará os serviços para os quais cada um não tem tempo ou talento. Esta instituição é o Estado. Ou seja, cada um é sócio e cliente do Estado.
O Estado, da mesma forma que qualquer empresa tocada pelos indivíduos, presta serviço aos seus clientes, oferece produtos. Neste caso, posso listar alguns, e é claro que haverá divergências quanto ao limite em que o Estado deve interferir em cada área. Vejamos:
- Segurança: o Estado recebe dos seus sócios / clientes o direito de utilizar a força (dentro de limites estabelecidos) para manter um nível adequado de liberdade e ordem.
- Administração da Moeda e Regulamentação dos Mercados: está na moda discutir os limites da interferência, mas acredito que seja consenso nas sociedades complexas que este é um monopólio do Estado, independentemente do grau da atuação.
- Elaboração e Execução da Legislação: incumbências dos poderes Legislativo e Judiciário, com reflexo em todas as outras funções, visando a Justiça, em todos os seus aspectos.
- Relação com outros Estados: política externa, representação nos fóruns maiores (ONU, FMI, OCDE, ou seja lá qual for), proteção e atendimento de cidadãos em outros países, defesa dos interesses do povo.
- Saúde e Educação: basicamente são serviços para os quais os cidadãos individualmente não são competentes, portanto delegam ao Estado que reunirá cidadãos com diversas capacidades para atender às demandas da população.
Na minha visão, essas são as funções do governo, ou seja, dos indivíduos selecionados, de acordo com sua índole e capacidade, para administrar o Estado. Com base nessa estrutura é possível pensar a relevância e a responsabilidade de se administrar os impostos (cotas de participação societária de cada indivíduo) na busca de oferecer a melhor prestação de serviços para os clientes (que, no fim das contas, são as mesmas pessoas).
No fundo, tudo passa pelo desafio colocado por Deus aos homens, lá no gênese, quando:
"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto."

domingo, janeiro 30, 2011

Mulheres e Homens

Me peguei pensando esses dias sobre uma constante : as mulheres tem uma idéia totalmente negativa sobre nós. Algumas tem uma idéia tão negativa, que não nos consideram dignos nem de sexo. Afinal de contas, homens homossexuais admiram e imitam as mulheres, mas mulheres homossexuais esnobam e sentem raiva dos homens! Pode parecer bobagem, uma generalização. Mas acredito que, no grosso, faz sentido. E faz sentido justamente porque, em nossa sociedade, o homem "manda", mas não tem legitimidade, não é reconhecido nem como igual, imagina como líder em qualquer instância. Somo vistos, geralmente, como ignorantes, curtos de entendimento, violentos, viciados em sexo, viciados em jogos (de qualquer tipo), incompetentes para administrar dinheiro ou qualquer outro recurso. Somos vistos assim por mulheres e pelos próprios homens. Homens são carentes de cuidado, carentes de aceitação e de respeito. Muito mais, e aí talvez seja verdade, do que as mulheres de hoje, que aprenderam a ser tão independentes, que são tão corajosas. O homem se perdeu, não sabe pra que lado olhar, não sabe em que direção investir. Quem se acha é bem sucedido, mas nem sempre é completo. Somos testosterona, precisamos do desafio, da aventura. Mas precisamos de um lastro, uma ajudadora. Sem isso, somos apenas uma pipa com fio cortado...

sábado, janeiro 29, 2011

Solidão

Eita feriazinhas mais conturbadas!! No início de dezembro tive a ruptura do ligamento no tornozelo, e até agora ainda estou em função disso, fisioterapia, etc. Além disso, estou trabalhando desde o início de janeiro, na academia, como um bico. E ontem extrai 2 sisos, tô com a boca ainda bem inchada, dor, dificuldade pra comer, etc. O básico.. E tem a organização do casamento, que demanda tempo, paciência e uma certa dose de ansiedade. Mas tento levar essas coisas de forma bem tranquila, a gente faz o que tem que fazer e aproveita ao máximo as situações.
A minha dificuldade maior para tocar esse tempo tem sido a enorme quantidade de horas em que passo sozinho! Muito tempo dentro de ônibus ou da baia da fisio, tempo sozinho em casa, e mesmo quando estou na academia, não deixa de ser um tempo solitário, pq não estou ali como amigo das pessoas (por mais que tenha amizade com elas, e que converse sempre, sobre os mais variados assuntos), mas como um profissional, no momento de lazer daqueles alunos. Na realidade, mesmo dar aula em uma escola, como eu faço durante o ano, é um trabalho solitário - solitário frente a 25 alunos, por mais que eles sejam participativos.
Não estou reclamando. Apenas refletindo o quanto está se tornando necessário que as pessoas aprendam (eu inclusive e principalmente) a viver muito tempo apenas consigo mesmo. Até este blog é a própria prova do que estou dizendo. Falamos para uma tela de computador, e outras pessoas, tb sozinhas lêem e compartilham ou discordam das minhas impressões. Às vezes se manifestam, mas na maior parte das vezes não. E isso acontece o tempo todo, ao redor de todo o mundo.
A internet tem o papel master de mostrar isso: o que são as redes sociais, os serviços de conversa eletrônica, até os portais focados em pornografia, senão paliativos para o sentimento de isolamento e inadequação das pessoas? Infelizmente, nesse sentido eles não tem alcançado sucesso: arrebanham milhões de pessoas, famosas ou anônimas, ricas e pobres (pelo menos as que frequentam Lan Houses ou tem internet acessível no serviço), mas nenhuma dessas pessoas sentem-se mais integradas ao mundo quando encostam a cabeça no travesseiro. Continuam solitárias, mesmo em uma casa cheia de gente, numa festa cheia de gente, ou assistindo o Big Brother, e ligando inúmeras vezes para definir o rumo dos confinados. Continuam sozinhas e sem nenhum sentido de relevância frente ao mundo.
Somo "seres sociais", como dizem os estudiosos (também eles solitários em seus estudos e divagações), e sofremos com essa necessidade, precisamos de gente. Não é fácil, para ser humano nenhum, lidar com isso, e cada vez teremos que despender mais energias para superar esse desafio.

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Tarantino's MInd

Tarantino's Mind - Seu Jorge e Selton Mello

O que o cristão deve querer da vida? [parte 2]

Continuando (agora no laptop da minha irmã, com gesso até o joelho) o post de ontem, é importante relembrar que a prioridade do cristão, seja em que área for, é o Reino de Deus. A Bíblia é pródiga em repetir isso das mais diversas maneiras, em parábolas, em falas bem diretas de Cristo, no testemunho dos apóstolos, profetas e de cada pessoa comum citada. Quando a noção de Reino de Deus era paralela com a de Reino de Israel, ficava mais fácil compreender, talvez até confundir com algum tipo de patriotismo, com homens e mulheres se comprometendo até a morte com o Povo Escolhido. Mas a partir da vinda de Cristo, tudo se tornou mais amplo, mais complexo, e ao mesmo tempo mais simples e mais profundo na vida de cada crente.
O cristão, em sua visão de mundo inspirada pelo Espírito Santo, percebe que a realidade como a conhecemos com os sentidos é apenas uma parte do que existe, e compreende melhor a relação entre os acontecimentos cotidianos e o projeto arquitetado por Deus "antes da fundação do mundo". Ao mesmo tempo, se percebe como um ser mais importante e relevante, justamente em virtude de ter sido escolhido e preparado pelo próprio Deus para atuar e abençoar o que existe a sua volta.
E daí, onde entra o trabalho, as aquisições (carro, casa, moto, casa de praia), o lazer, o casamento, os filhos e tudo o mais? Como aplicar "o Reino de Deus e a sua justiça" a todas essas questões, tão prioritárias, pelo menos em nossa sociedade? E até onde são verdadeiramente prioritárias, do ponto de vista de Deus?

Mais elucubrações (!!) no próximo post

Intervalo

Após o post de ontem a noite, fui jogar bola... cerca de meia hora de jogo, em uma dividida, virei o pé e ouvi o estalo... fui pra clínica na mesma hora: rompi o ligamento fibulo-talar anterior do tornozelo direito.. o mesmo ligamento que rompi em 2003 no pé esquerdo, jogando handebol durante um JINEF.. Agora tô com o pé imobilizado, pra cima, de atestado.. na sexta ou no sábado volto a trabalhar, mas pela metade, hehe.
"Assim é, pq a Deus aprouve. Apenas glorifiquemos, adoremos o nome sobre todo nome. Louvado seja Deus." No Twitter, pelo @gabribelo.

terça-feira, dezembro 07, 2010

O que o cristão deve querer da vida?

Nessa série de posts, estou querendo pensar a vida do que poderia ser chamado o "cristão médio". Não o cristão medíocre, mas o que não está incumbido de nenhum dos tais "ministérios de tempo integral" (pastor de igreja, missionário transcultural, plantador de igrejas, etc.). Até essas nomenclaturas são falsas e pouco representativas da realidade da vida cristã: todo cristão tem um ministério de tempo integral. Afinal, o que é o trabalho da mãe que fica em casa durante anos, ensinando suas crianças no caminho? ou do líder jovem que acompanha seus colegas na universidade, nas escolas, no princípio de sua vida profissional? Como podemos não lembrar que cada papel social de um cristão já é seu próprio ministério, ou seja, a responsabilidade que lhe foi imputada por Cristo?
Voltando ao início, o cristão médio é justamente esse que tem incumbências profissionais, desafios em sua própria casa, relacionamentos de amizade, um casamento, filhos, pais, etc., e que está envolvido 24 horas por dia, 7 dias por semana com essas atividades. Ao mesmo tempo é um cristão que, enxergando além das necessidades mais próximas, também atua em uma comunidade organizada, se responsabiliza por certos "serviços" em sua igreja. Ou seja, o cristão médio é aquele que compõe a imensa maioria das nossas igrejas mas, ao mesmo tempo, se diferencia da massa por ser comprometido e enxergar a mesma coisa, tanto na igreja quanto na sua rotina "secular", a saber: as pessoas no meio das quais Deus o colocou e às quais deve servir, como se fosse ao próprio Deus.
Não é uma compreensão que seja senso comum no meio das igrejas; pelo contrário, a prática mais presente entre os evangélicos (e completamente antibíblica) - por mais que muitos não a verbalizem - é a de que a vida cristã se resume às atividades realizadas na igreja, ou no domingo, ou no fim de semana e nas reuniões de oração de quarta-feira, etc. Para esse crente, as atividades profissionais, ou a forma como ele conduz sua vida afetiva ou familiar é assunto privado, ninguém deve se meter. Seja porque o mercado é muito voraz e não comporta os princípios de amor ao próximo e justiça tão radicais pregados na Bíblia, ou porque ninguém deve por o dedo em brigas (e decisões) de marido e mulher.
Justificativas são muitas, mas pensar a vida do cristão, suas prioridades e seus princípios só é válido se enxergarmos a vida do cristão como um todo, em que Deus vai tocar de segunda a segunda, em cada ambiente, cada decisão, cada aspecto. Deus não quer 10% do meu salário e não quer 1/7 do meu tempo, Deus quer 100% e não aceitará menos do que isso!!

Daqui a pouco tem mais... Abraços.