Os blogs abaixo montaram duas listas do Top 10 - Tirinhas do Calvin, cm lições para a nossa vida.. Excelente coletânea, e incrivelmente apenas uma pequena mostra da genialidade do americano Bill Watterson. Dêem uma lida nas tiras selecionadas do garotinho mais crítico e do seu tigre imaginário / real de estimação.
Em português:
http://topismos.blogspot.com/2008/11/top-10-tirinhas-do-calvin-que-me.html
(este site, aliás, eh uma excente fonte de topismos, ou seja, a arte de elencar "top 10" de qualquer assunto)
Em inglês:
http://ladyrasta.wordpress.com/2008/11/21/top-ten-calvin-minutos-de-sabedoria/
quarta-feira, novembro 26, 2008
terça-feira, novembro 04, 2008
Cristianismo Puro e Simples - I
"A principal coisa que aprendemos quado tentamos praticar as virtudes cristãs é que fracassamos. Se tínhamos a idéia de que Deus nos impunha uma espécie de prova na qual poderíamos merecer passar por tirar boas notas, essa idéia tem de se ser eliminada. Se tínhamos a idéia de uma espécie de barganha - a idéia de que poderíamos cumprir a parte que nos cabe no contrato e deixar Deus em dívida conosco, de tal modo que, por uma questão de justiça, ele ficasse obrigado a cumprir a parte dele -, ela deve ser eliminada também.
Creio que quantos possuem uma vaga crença em Deus acreditam, até se tornarem cristãos, nessa idéia da prova ou da barganha. O primeiro resultado do verdadeiro cristianismo é o de reduzir essa idéia a pó. Quando a vêem reduzida a pó, certas pessoas chegam à conclusão de que o cristianismo é um embuste e dele desistem. Essa gente parece imaginar que Deus é extremamente simplório. Na verdade, ele sabe de tudo isso. Uma das intenções do cristianismo é justamente reduzir essa idéia a pó. Deus está a espera do momento em que você vai descobrir que jamais conseguirá tirar a nota mínima para passar nesse exame, e não poderá jamais deixá-lo em dívida.
Com isso vem outra descoberta. Todas as faculdades que você possui, sua faculdade de pensar ou de mover os membros a cada momento, lhe são dadas por Deus. Mesmo se dedicasse cada momento de sua vida exclusivamente ao seu serviço, você não poderia dar-lhe nada que, em certo sentido, já não lhe pertencesse. Logo, quando uma pessoa diz que faz algo para Deus ou lhe dá algo, é como se fosse uma criança pequena que interpelasse o pai e lhe pedisse: " Papai, me dê cinqüenta centavos para lhe comprar um presente de aniversário." É claro que o pai dá o dinheiro e fica contente com o gesto do filho. Tudo é muito bonito e muito correto, mas só um imbecil acharia que o pai lucrou cinqüenta centavos com a transação. Quando o homem descobre essas duas coisas, Deus pode realmente começar a agir. É depois disso que a verdadeira vida começa. O homem agora está desperto."
C.S. Lewis (1942). P. 190-191.
Creio que quantos possuem uma vaga crença em Deus acreditam, até se tornarem cristãos, nessa idéia da prova ou da barganha. O primeiro resultado do verdadeiro cristianismo é o de reduzir essa idéia a pó. Quando a vêem reduzida a pó, certas pessoas chegam à conclusão de que o cristianismo é um embuste e dele desistem. Essa gente parece imaginar que Deus é extremamente simplório. Na verdade, ele sabe de tudo isso. Uma das intenções do cristianismo é justamente reduzir essa idéia a pó. Deus está a espera do momento em que você vai descobrir que jamais conseguirá tirar a nota mínima para passar nesse exame, e não poderá jamais deixá-lo em dívida.
Com isso vem outra descoberta. Todas as faculdades que você possui, sua faculdade de pensar ou de mover os membros a cada momento, lhe são dadas por Deus. Mesmo se dedicasse cada momento de sua vida exclusivamente ao seu serviço, você não poderia dar-lhe nada que, em certo sentido, já não lhe pertencesse. Logo, quando uma pessoa diz que faz algo para Deus ou lhe dá algo, é como se fosse uma criança pequena que interpelasse o pai e lhe pedisse: " Papai, me dê cinqüenta centavos para lhe comprar um presente de aniversário." É claro que o pai dá o dinheiro e fica contente com o gesto do filho. Tudo é muito bonito e muito correto, mas só um imbecil acharia que o pai lucrou cinqüenta centavos com a transação. Quando o homem descobre essas duas coisas, Deus pode realmente começar a agir. É depois disso que a verdadeira vida começa. O homem agora está desperto."
C.S. Lewis (1942). P. 190-191.
segunda-feira, outubro 27, 2008
Eleições - Parte 4
Acabou (no Brasil, desta vez).. mas na verdade só começou!
Em vários sentidos: primeiro porque é agora que começa realmente o que importa - o governo dos eleitos! Até agora não fizeram nada, só prometeram, criticaram, prometeram, ofenderam, sorriram, prometeram. Na maior parte dos casos, promessas bem vazias, sem preocupação com a possibilidade de efetivação, orçamento, responsabilidade fiscal, etc. Até agora só o jogo político, acertos, troca de cargos, mas nada de concreto.
"Essa eleição foi marcada pela canibalização recíproca dos candidatos, pela tentativa de desconstruir os rivais desnudando seu passado e expondo seus aliados indesejáveis. Esse excesso de sangue na arena ofuscou os programas políticos, as propostas para os municípios. A maioria dos eleitores não sabe como sua cidade será administrada nos próximos quatro anos." Gaudêncio Torquato - Veja (29/10/2008)
A minha parte otimista me lembra que isso faz parte, é importante para a concretização de uma democracia madura. A minha parte pessimista me lembra que é verdade, faz parte, o problema é que as outras partes não tem participado muito (perdão pela redundância!).
Daqui a alguns dias os EUA terão suas eleições. Pelo menos, o dia 04 de novembro é a data oficial. Sabemos que em vários estados o processo já começou. E os debates acalorados entre Obama e McCain já se arrastam por semanas..
Ontem perdi a hora pra votar. Estava viajando, não cheguei a tempo, e hoje fui visitar o TRE para justificar.. Não sentirei muita falta, assim como não senti falta nenhuma de ter servido o exército ou como não sentiria falta nenhuma de declarar o imposto de renda. São obrigações, não convicções. Acredito que seja assim para a grande maioria da população. Uma pena, mas cansei de escrever e pensar sobre isso.. Eleição, graças a Deus, só em 2010. Até lá, vamos ver se alguém trabalha!!!
Em vários sentidos: primeiro porque é agora que começa realmente o que importa - o governo dos eleitos! Até agora não fizeram nada, só prometeram, criticaram, prometeram, ofenderam, sorriram, prometeram. Na maior parte dos casos, promessas bem vazias, sem preocupação com a possibilidade de efetivação, orçamento, responsabilidade fiscal, etc. Até agora só o jogo político, acertos, troca de cargos, mas nada de concreto.
"Essa eleição foi marcada pela canibalização recíproca dos candidatos, pela tentativa de desconstruir os rivais desnudando seu passado e expondo seus aliados indesejáveis. Esse excesso de sangue na arena ofuscou os programas políticos, as propostas para os municípios. A maioria dos eleitores não sabe como sua cidade será administrada nos próximos quatro anos." Gaudêncio Torquato - Veja (29/10/2008)
A minha parte otimista me lembra que isso faz parte, é importante para a concretização de uma democracia madura. A minha parte pessimista me lembra que é verdade, faz parte, o problema é que as outras partes não tem participado muito (perdão pela redundância!).
Daqui a alguns dias os EUA terão suas eleições. Pelo menos, o dia 04 de novembro é a data oficial. Sabemos que em vários estados o processo já começou. E os debates acalorados entre Obama e McCain já se arrastam por semanas..
Ontem perdi a hora pra votar. Estava viajando, não cheguei a tempo, e hoje fui visitar o TRE para justificar.. Não sentirei muita falta, assim como não senti falta nenhuma de ter servido o exército ou como não sentiria falta nenhuma de declarar o imposto de renda. São obrigações, não convicções. Acredito que seja assim para a grande maioria da população. Uma pena, mas cansei de escrever e pensar sobre isso.. Eleição, graças a Deus, só em 2010. Até lá, vamos ver se alguém trabalha!!!
quinta-feira, outubro 16, 2008
Eleições - Parte 3
Momento "conversa de boteco":
"- O Obama vai ganhar, você viu?
- Pois é, tô torcendo por ele. Essa guerra do Iraque tem que acabar!! Já morreu tanta gente..
- É, e agora com essa crise das bolsas, o McCain não tem muita chance mesmo, né? Você viu o debate ontem na RecordNews?
- Não, preferi assistir o jogo do Brasil.."
Bem, apesar de o jogo do Brasil contra a Colômbia pelas Eliminatórias ter sido terrível, provavelmente o nosso amigo escolheu corretamente. Afinal de contas, ele não entende patavinas do que acontece no processo eleitoral americano e muito menos qual a relação entre uma guerra no Oriente Médio, o preço das commodities (se é que ele conhece essa palavra!) e a crise em Wall Street e nas bolsas de valores ao redor do mundo. É o tipo de informação que nada acrescenta para a maior parte das pessoas.
E este período do ano está sendo muito triste. Além da corrida eleitoral do segundo turno em muitas cidades do país (inclusive as três mais importantes e essa em que eu moro), as notícias giram também sobre crise financeira e eleição nos EUA, eliminatórias da Copa do Mundo de Futebol, seqüestro em Santo André. E a gente ouve cada calamidade da boca das pessoas! Se já não bastassem as crises, agora temos que conviver com as opiniões de todos os Zés.
Em nosso país, e em muitos outros com certeza, o acesso a informação é cada vez maior. Já temos há alguns meses o primeiro canal de telejornalismo 24h na TV aberta. Já tínhamos excelentes telejornais, jornais escritos, revistas, sites, etc. Mas isso não basta. Pessoas incapazes de relacionar e selecionar as informações recebidas não atingem os próximos degraus da compreensão. Apenas escutam e copiam opiniões. Dizemos que o brasileiro tem memória curta, e na hora da eleição percebemos exatamente isso: se o candidato a reeleição faz algo há 1 mês da eleição, quer dizer que ele governou bem, e não importa muito se ele passou o resto do mandato coçando! Ou pior...
Quando o Zé explicita uma opinião sobre a campanha eleitoral dos americanos ou seus motivos para votar em qualquer pessoa na campanha para vereador, fica evidente o quanto falta para que o Brasil atinja o nível de democracia que alardeia. Dar o direito de votar ao Zé não apenas é inútil quanto é irresponsável.
Mas não acredito que a solução seja tirar o direito ao voto, e sim capacitar os eleitores para o voto, a leitura, a análise, as escolhas. Quando tivermos um eleitorado que saiba procurar as informações relevantes, ler e entender o que lê, comparar as informações e as opiniões, neste momento saberemos qual é a vontade do povo em uma eleição. Só neste momento haverá uma "vontade". Enquanto isso, ganha quem tiver o melhor marqueteiro!
"- O Obama vai ganhar, você viu?
- Pois é, tô torcendo por ele. Essa guerra do Iraque tem que acabar!! Já morreu tanta gente..
- É, e agora com essa crise das bolsas, o McCain não tem muita chance mesmo, né? Você viu o debate ontem na RecordNews?
- Não, preferi assistir o jogo do Brasil.."
Bem, apesar de o jogo do Brasil contra a Colômbia pelas Eliminatórias ter sido terrível, provavelmente o nosso amigo escolheu corretamente. Afinal de contas, ele não entende patavinas do que acontece no processo eleitoral americano e muito menos qual a relação entre uma guerra no Oriente Médio, o preço das commodities (se é que ele conhece essa palavra!) e a crise em Wall Street e nas bolsas de valores ao redor do mundo. É o tipo de informação que nada acrescenta para a maior parte das pessoas.
E este período do ano está sendo muito triste. Além da corrida eleitoral do segundo turno em muitas cidades do país (inclusive as três mais importantes e essa em que eu moro), as notícias giram também sobre crise financeira e eleição nos EUA, eliminatórias da Copa do Mundo de Futebol, seqüestro em Santo André. E a gente ouve cada calamidade da boca das pessoas! Se já não bastassem as crises, agora temos que conviver com as opiniões de todos os Zés.
Em nosso país, e em muitos outros com certeza, o acesso a informação é cada vez maior. Já temos há alguns meses o primeiro canal de telejornalismo 24h na TV aberta. Já tínhamos excelentes telejornais, jornais escritos, revistas, sites, etc. Mas isso não basta. Pessoas incapazes de relacionar e selecionar as informações recebidas não atingem os próximos degraus da compreensão. Apenas escutam e copiam opiniões. Dizemos que o brasileiro tem memória curta, e na hora da eleição percebemos exatamente isso: se o candidato a reeleição faz algo há 1 mês da eleição, quer dizer que ele governou bem, e não importa muito se ele passou o resto do mandato coçando! Ou pior...
Quando o Zé explicita uma opinião sobre a campanha eleitoral dos americanos ou seus motivos para votar em qualquer pessoa na campanha para vereador, fica evidente o quanto falta para que o Brasil atinja o nível de democracia que alardeia. Dar o direito de votar ao Zé não apenas é inútil quanto é irresponsável.
Mas não acredito que a solução seja tirar o direito ao voto, e sim capacitar os eleitores para o voto, a leitura, a análise, as escolhas. Quando tivermos um eleitorado que saiba procurar as informações relevantes, ler e entender o que lê, comparar as informações e as opiniões, neste momento saberemos qual é a vontade do povo em uma eleição. Só neste momento haverá uma "vontade". Enquanto isso, ganha quem tiver o melhor marqueteiro!
segunda-feira, outubro 06, 2008
Eleições - Parte 2
Bem, passamos da primeira parte agoniante das eleições municipais no Brasil. Hoje, segunda-feira, é dia de análises, comemorações, muita sujeira na rua, e um "gostinho residual" de ressaca.
As análises são feitas em todos os telejornais, jornais impressos, revistas semanais, nas conversas de boteco, pelos meus alunos e colegas na academia, no ônibus e em todos os outros lugares do país. E essa é uma das vantagens dessas eleições municipais. O país participa como um todo, afinal todos (sem exceção)tem interesse nos resultados. Cada pequeno município escondido teve suas campanhas, seu interesse, a angústia da apuração. Ouvi inclusive de um pequeno município aqui em Santa Catarina em que a "angústia" durou apenas 7 minutos. às 17:07 já se sabia o resultado! Maravilhas da Urna Eletrônica!
Mas não posso ficar satisfeito com a análise de boteco! Se o Zé (analfabeto, desdentado, pai de 11 filhos) acha que o resultado foi bom, porque o novo prefeito vai asfaltar a sua rua, tudo bem! Mas que os formadores de opinião embasem suas análises em fatores tão pequenos quanto esse, é inaceitável! E nós, podemos nos contentar com análises do gênero: "este rouba mas faz", "este pelo menos fez alguma coisa", "este tem influência no governo do estado / país, e via trazer algum dinheiro pra cá", "este é amigo da minha classe / igreja / profissão", "este é simpático", "este é amigo / marido / namorado / parente de fulano"???
Infelizmente, é basicamente só isto que tenho ouvido! Desde ontem, praticamente todas as pessoas que comentam as eleições fazem análises desse padrão!
Mas vou fazer duas perguntas relacionadas a eleição municipal. São difíceis e provavelmente complicam muito a escolha de um candidato. Mas sem a resposta a elas, é ridículo pensarmos em alguma utilidade para o processo eleitoral. Se os critérios para escolhermos um governante são tão inconsistentes, qual é a diferença entre nós escolhermos ou uma comissão eleitoral escolher? Em tese, a chance de acertar é praticamente nula! A menos que consideremos a possibilidade de uma comissão justa e imparcial: neste caso, a chance de uma comissão acertar aumenta exponencialmente! As nossas chances, no entanto...
As perguntas são: "Qual é o projeto de cidade que o candidato possui?" e "Quais são as minhas expectativas para a cidade?". Em geral, ninguém nunca respondeu a segunda pergunta de forma honesta. Ninguém parou para pensar quais são as necessidades do município e elencá-las pensando numa visão de médio e longo prazos. Se nunca respondemos a segunda, mesmo que algum candidato responda satisfatoriamente a primeira, quais são os critérios para escolhermos.
Já avançamos muito como povo brasileiro. Quero deixar claro que não defendo a volta ao colégio eleitoral, a ditadura ou qualquer forma de governo tipicamente sulamericana. Mas ainda estamos diante de um longo caminho! Colocar o exército nas ruas do Pará ou do Rio de Janeiro apenas prova que o trabalho de democratização brasileira ainda será longo. Eleger governantes que utilizam a máquina pública pra fazer campanha ou que só trabalham com afinco no último ano para serem reeleitos, provam o mesmo desafio.
As análises são feitas em todos os telejornais, jornais impressos, revistas semanais, nas conversas de boteco, pelos meus alunos e colegas na academia, no ônibus e em todos os outros lugares do país. E essa é uma das vantagens dessas eleições municipais. O país participa como um todo, afinal todos (sem exceção)tem interesse nos resultados. Cada pequeno município escondido teve suas campanhas, seu interesse, a angústia da apuração. Ouvi inclusive de um pequeno município aqui em Santa Catarina em que a "angústia" durou apenas 7 minutos. às 17:07 já se sabia o resultado! Maravilhas da Urna Eletrônica!
Mas não posso ficar satisfeito com a análise de boteco! Se o Zé (analfabeto, desdentado, pai de 11 filhos) acha que o resultado foi bom, porque o novo prefeito vai asfaltar a sua rua, tudo bem! Mas que os formadores de opinião embasem suas análises em fatores tão pequenos quanto esse, é inaceitável! E nós, podemos nos contentar com análises do gênero: "este rouba mas faz", "este pelo menos fez alguma coisa", "este tem influência no governo do estado / país, e via trazer algum dinheiro pra cá", "este é amigo da minha classe / igreja / profissão", "este é simpático", "este é amigo / marido / namorado / parente de fulano"???
Infelizmente, é basicamente só isto que tenho ouvido! Desde ontem, praticamente todas as pessoas que comentam as eleições fazem análises desse padrão!
Mas vou fazer duas perguntas relacionadas a eleição municipal. São difíceis e provavelmente complicam muito a escolha de um candidato. Mas sem a resposta a elas, é ridículo pensarmos em alguma utilidade para o processo eleitoral. Se os critérios para escolhermos um governante são tão inconsistentes, qual é a diferença entre nós escolhermos ou uma comissão eleitoral escolher? Em tese, a chance de acertar é praticamente nula! A menos que consideremos a possibilidade de uma comissão justa e imparcial: neste caso, a chance de uma comissão acertar aumenta exponencialmente! As nossas chances, no entanto...
As perguntas são: "Qual é o projeto de cidade que o candidato possui?" e "Quais são as minhas expectativas para a cidade?". Em geral, ninguém nunca respondeu a segunda pergunta de forma honesta. Ninguém parou para pensar quais são as necessidades do município e elencá-las pensando numa visão de médio e longo prazos. Se nunca respondemos a segunda, mesmo que algum candidato responda satisfatoriamente a primeira, quais são os critérios para escolhermos.
Já avançamos muito como povo brasileiro. Quero deixar claro que não defendo a volta ao colégio eleitoral, a ditadura ou qualquer forma de governo tipicamente sulamericana. Mas ainda estamos diante de um longo caminho! Colocar o exército nas ruas do Pará ou do Rio de Janeiro apenas prova que o trabalho de democratização brasileira ainda será longo. Eleger governantes que utilizam a máquina pública pra fazer campanha ou que só trabalham com afinco no último ano para serem reeleitos, provam o mesmo desafio.
quarta-feira, outubro 01, 2008
Eleições - Parte 1
Bem, minha nova empreitada nas próximas semanas será discorrer um pouco sobre o processo eleitoral que se abate sobre o país no próximo domingo. Pode parecer que estou atrasado, mas não concordo. Passei as últimas semanas lendo e ouvindo muita coisa, e a minha discussão mental não se restringe ao primeiro turno das eleições municipais e nem mesmo à exclusividade do pleito no Brasil.
No próximo domingo, dia 5 de outubro, o processo eleitoral atinge o seu primeiro clímax no Brasil. Em Florianópolis, onde moro, já sabemos que haverá o segundo clímax, algumas semanas depois. E em muitas outras cidades a situação será a mesma. Além disso, o país mais rico do mundo também está passando pelo processo. Nos Estados Unidos, a eleição está marcada para o dia 5 de novembro, mas já começou em Ohio (loucuras de um sistema eleitoral bem confuso!).
Quanto à minha descrição inicial deste processo ("que se abate"), é isso mesmo que eu quis dizer. Não quero soar reacionário, amigo da ditadura, e nem socialista ou alguma bizarrice história do gênero. Mas não posso me abster da percepção de que o processo eleitoral brasileiro é ufanista mas não é democrático. Não em todas as suas conseqüências.
Um fator interessantíssimo (só pros teóricos do sistema!) é o nosso método representativo, em que você vota em um candidato e elege outro (ou outros!). Cada vez que voto em alguém para o Poder Legislativo (e isso ocorre em todas as eleições, infelizmente) a minha raiva é saber que o meu voto não é o que todos dizem! Eu, individualmente, não estou cooperando para definir a linha de raciocínio dos legisladores nos próximos 4 anos. Apenas dou a minha contribuição para a distribuição de cargos entre partidos tão iguais que passam a não fazer diferença. E, se isso é incompreensível para mim, imaginem para aqueles que não lêem e não compreendem o mundo a sua volta. Eles não vêem nenhum motivo para não vender seu voto ou não votar em qualquer mané com nome bonito e dinheiro no bolso. Na realidade, nem eu enxergo esses motivos, na maior parte do tempo!
Nos próximos posts quero enfatizar algo mais sobre o processo atual e suas discrepâncias, nacionalmente e principalmente aki na Grande Florianópolis, uma mistura sulista do caudilhismo portenho, coronelismo nordestino e uma esquerda fraquíssima, além dos aventureiros de sempre. Com a diferença que é uma região altamente promissora, com desafios pungentes para não perder o bonde.
No próximo domingo, dia 5 de outubro, o processo eleitoral atinge o seu primeiro clímax no Brasil. Em Florianópolis, onde moro, já sabemos que haverá o segundo clímax, algumas semanas depois. E em muitas outras cidades a situação será a mesma. Além disso, o país mais rico do mundo também está passando pelo processo. Nos Estados Unidos, a eleição está marcada para o dia 5 de novembro, mas já começou em Ohio (loucuras de um sistema eleitoral bem confuso!).
Quanto à minha descrição inicial deste processo ("que se abate"), é isso mesmo que eu quis dizer. Não quero soar reacionário, amigo da ditadura, e nem socialista ou alguma bizarrice história do gênero. Mas não posso me abster da percepção de que o processo eleitoral brasileiro é ufanista mas não é democrático. Não em todas as suas conseqüências.
Um fator interessantíssimo (só pros teóricos do sistema!) é o nosso método representativo, em que você vota em um candidato e elege outro (ou outros!). Cada vez que voto em alguém para o Poder Legislativo (e isso ocorre em todas as eleições, infelizmente) a minha raiva é saber que o meu voto não é o que todos dizem! Eu, individualmente, não estou cooperando para definir a linha de raciocínio dos legisladores nos próximos 4 anos. Apenas dou a minha contribuição para a distribuição de cargos entre partidos tão iguais que passam a não fazer diferença. E, se isso é incompreensível para mim, imaginem para aqueles que não lêem e não compreendem o mundo a sua volta. Eles não vêem nenhum motivo para não vender seu voto ou não votar em qualquer mané com nome bonito e dinheiro no bolso. Na realidade, nem eu enxergo esses motivos, na maior parte do tempo!
Nos próximos posts quero enfatizar algo mais sobre o processo atual e suas discrepâncias, nacionalmente e principalmente aki na Grande Florianópolis, uma mistura sulista do caudilhismo portenho, coronelismo nordestino e uma esquerda fraquíssima, além dos aventureiros de sempre. Com a diferença que é uma região altamente promissora, com desafios pungentes para não perder o bonde.
quarta-feira, setembro 24, 2008
Quadrinhos 3 - Final
Falei nos últimos posts sobre a minha experiência com as HQs, e no fim de ambos insisti na falta que esse material tão interessante faz na sala de aula e na biblioteca de crianças e adolescentes.. Vamos aprofundar isso um pouquinho nesse último post.
Por que histórias em quadrinhos são boas opções para estudantes? E em que idade deve ser incentivada? Que tipo de conteúdo deve ser incentivado?
Primeiro de tudo, as HQs reúnem no mesmo momento a arte gráfica (as figuras que as crianças tanto valorizam) e a leitura (que nós queremos que as crianças aprendam a valorizar). Uma criança naturalmente sentirá atração por um projeto gráfico colorido e bem feito. Traços simples, histórias simples, com conteúdos interessantes, uma dose de humor e outra de pequenos detalhes de personalidade - uma receita utilizada pelo Maurício de Souza há 49 anos. Qual é a criança que não sentiria interesse em ler as aventuras da turma da Mônica, do Penadinho, do Papa-Capim, etc. Um testemunho pessoal: minha vó tem até hoje (todos os netos já são, pelo menos, adolescentes) um cestinho no banheiro com revistinhas da Mônica, dessas bem antigas, compradas em sebo. Quero saber qual dos primos que não lê uma histórinha toda vez que vai na vó... Eu leio!
Ou seja, com relação à idade, duas coisas precisam ser pensadas: o projeto gráfico e a complexidade do conteúdo. Na medida em que a criança aprende a ler e desenvolve seu senso crítico e até mesmo os outros conhecimentos (história, geografia, atualidades), é importante propôr novas opções, mais desafiadoras. Como fazer isso se não conhecemos e não lemos, e até mesmo achamos que isso não é literatura?
Outro caso lá de casa: meu irmão não gostava de ler quando era pequeno. Tinha muita facilidade na escola, mas não pegava em livros, achava muito chato, desmotivante. Certo dia, meio sem querer, ele pegou umas revistas do Super-Homem ou do Homem-Aranha, e começou a acompanhá-las, sabia todas as tramas.Hoje ele é um leitor tão compulsivo quanto o restante da família e lê, inclusive, HQs, mas não só... Um medo dos meus pais é que ele estacionasse nesse tipo de literatura, mas isso não aconteceu, porque novas opções foram oferecidas.
Uma outra possibilidade, para os mais velhos talvez, é a introdução às HQs em inglês, espanhol, italiano, francês, como forma de aprendizado em outro idioma. Os diálogos e as histórias não são tão complicados e há grande ajuda na compreensão por causa dos desenhos.
Por último, a escola falha sistematicamente em captar a atenção e o interesse de grande parte dos seus alunos. A causa: falta oferecer a eles algo que seja desafiador, diferente. E ensinar língua portuguesa, artes, história, geografia, pode muito bem ser diferente, desafiador, muito motivante. Basta que os materiais e os conteúdos sejam algo marcante para os alunos. Cabe ao professor buscar novas possibilidades, seja num parque, no laboratório de ciências, em frente ao computador ou na biblioteca.
Revistas em Quadrinhos podem ser muito mais baratos do que livros, e mesmo que não sejam (vai depender muito do conteúdo), são um investimento possível. É apenas mais uma ferramenta para o desenvolvimento dos alunos, mas uma ferramenta acessível e cheia de possibilidades.
Por que histórias em quadrinhos são boas opções para estudantes? E em que idade deve ser incentivada? Que tipo de conteúdo deve ser incentivado?
Primeiro de tudo, as HQs reúnem no mesmo momento a arte gráfica (as figuras que as crianças tanto valorizam) e a leitura (que nós queremos que as crianças aprendam a valorizar). Uma criança naturalmente sentirá atração por um projeto gráfico colorido e bem feito. Traços simples, histórias simples, com conteúdos interessantes, uma dose de humor e outra de pequenos detalhes de personalidade - uma receita utilizada pelo Maurício de Souza há 49 anos. Qual é a criança que não sentiria interesse em ler as aventuras da turma da Mônica, do Penadinho, do Papa-Capim, etc. Um testemunho pessoal: minha vó tem até hoje (todos os netos já são, pelo menos, adolescentes) um cestinho no banheiro com revistinhas da Mônica, dessas bem antigas, compradas em sebo. Quero saber qual dos primos que não lê uma histórinha toda vez que vai na vó... Eu leio!
Ou seja, com relação à idade, duas coisas precisam ser pensadas: o projeto gráfico e a complexidade do conteúdo. Na medida em que a criança aprende a ler e desenvolve seu senso crítico e até mesmo os outros conhecimentos (história, geografia, atualidades), é importante propôr novas opções, mais desafiadoras. Como fazer isso se não conhecemos e não lemos, e até mesmo achamos que isso não é literatura?
Outro caso lá de casa: meu irmão não gostava de ler quando era pequeno. Tinha muita facilidade na escola, mas não pegava em livros, achava muito chato, desmotivante. Certo dia, meio sem querer, ele pegou umas revistas do Super-Homem ou do Homem-Aranha, e começou a acompanhá-las, sabia todas as tramas.Hoje ele é um leitor tão compulsivo quanto o restante da família e lê, inclusive, HQs, mas não só... Um medo dos meus pais é que ele estacionasse nesse tipo de literatura, mas isso não aconteceu, porque novas opções foram oferecidas.
Uma outra possibilidade, para os mais velhos talvez, é a introdução às HQs em inglês, espanhol, italiano, francês, como forma de aprendizado em outro idioma. Os diálogos e as histórias não são tão complicados e há grande ajuda na compreensão por causa dos desenhos.
Por último, a escola falha sistematicamente em captar a atenção e o interesse de grande parte dos seus alunos. A causa: falta oferecer a eles algo que seja desafiador, diferente. E ensinar língua portuguesa, artes, história, geografia, pode muito bem ser diferente, desafiador, muito motivante. Basta que os materiais e os conteúdos sejam algo marcante para os alunos. Cabe ao professor buscar novas possibilidades, seja num parque, no laboratório de ciências, em frente ao computador ou na biblioteca.
Revistas em Quadrinhos podem ser muito mais baratos do que livros, e mesmo que não sejam (vai depender muito do conteúdo), são um investimento possível. É apenas mais uma ferramenta para o desenvolvimento dos alunos, mas uma ferramenta acessível e cheia de possibilidades.
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