Inicialmente, um feliz 2009 para o que lêem este blog, que Deus abençoe a todos nós com sabedoria e conhecimento da Sua Palavra.
Bem, este não é o tipo de desejo que se ouve nos dias ao redor do réveillon. Em geral, e chega a ser absurdamente patético, os desejos são: Paz (todo ano se pede, e nunca acontece.. por que será?), Saúde (todos terão seus dias de saúde e de doença, e todo ano continuam morrendo todos aqueles que devem morrer naquele ano!!!), Dinheiro (com crise ou sem crise, todo ano pedimos e a maioria de nós continua endividado no ano seguinte), Amor e Felicidade (o que raios significa isso???).
Os pedidos se repetem a cada novo ano (eu só participei dos últimos 25, mas não acredito que isso tenha mudado muito nesse tempo). E as coisas permanecem exatamente como estão, independente dos números do calendário, com mudanças apenas periféricas, superficiais. Ou seja, quem não é feliz, pode até ter algumas alegrias durante o ano, mas continuará infeliz no dezembro seguinte.
Mas infelizmente grassa pelas nossas cidades, e pelas nossas igrejas, a filosofia do pensamento positivo, do "desenvolvimento da consciência", da evolução humana... Eu apenas gostaria de enxergar uma pequena prova de que o mundo melhorou alguma coisa nos últimos séculos... e se melhorou, uma pequena prova de que sem Deus algo disso teria acontecido!!! O homem (inclusive o "crente") acredita que se eu quero, as coisas vão acontecer... Se eu peço a Deus, seja o que for, vai acontecer, como se o chefe fosse eu, e Ele apenas o gênio da lâmpada...
Mas é inútil comemorar a entrada de um novo ano? Seria desperdício de tempo, risadas, champagne? Será que não vale nada viajar durante 4 horas, descendo da capital paulista para curtir uma festa apinhada de gente (como todos os outros dias do ano!) no Guarujá? Ou a correria de última hora pra chegar na praia todo suado e ver 15 minutos de uma apresentação de fogos de artifício? Ou o porre do dia 1º, a cabeça zunindo, o gosto de guarda-chuva na boca?
Vale a pena, sim! Mas não pra todos! O que significam os marcos que colocamos na nossa vida? Vale o mesmo para os Aniversários, os de vida, os de casamento, etc. Os marcos são formas humanas para sinalizar aquilo que nos é importante, para delimitar o que fazemos e simbolizar os inícios. Não criamos o universo, mas nem por isso deixamos de ter os nossos gêneses (no trabalho, na família, nos projetos pessoais). Faz parte do nosso genoma o fato de sermos criativos. Ou seja, construímos coisas, relacionamentos, empresas, blogs. Um novo ano ou uma nova etapa serão sempre o momento de avaliação, correção, novas metas, novos relacionamentos.
Não podemos ser hipócritas ao achar que o Réveillon será a panacéia dos nossos problemas, mentalidade "Ano Novo - Vida Nova". Vida Nova só há uma, e devemos comemorá-la todos os dias, no louvor a Deus, na Santa Ceia, na comunhão com os irmãos, no serviço a quem necessita.
Por outro lado, não devemos perder a chance, tornando esta noite em uma "Carnaval fora de época" - festas de amigo secreto, comilança, "bebelança", pagode, beijo na boca... e só!!
"Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. Volta-te para nós, SENHOR; até quando? Aplaca-te para com os teus servos. Farta-nos de madrugada com a tua benignidade, para que nos regozijemos, e nos alegremos todos os nossos dias. Alegra-nos pelos dias em que nos afligiste, e pelos anos em que vimos o mal. Apareça a tua obra aos teus servos, e a tua glória sobre seus filhos. E seja sobre nós a formosura do SENHOR nosso Deus, e confirma sobre nós a obra das nossas mãos; sim, confirma a obra das nossas mãos." Salmo 90:12-17
"Confia no SENHOR de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento. Reconhece-o em todos os teus caminhos, e ele endireitará as tuas veredas. Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal. Isto será saúde para o teu âmago, e medula para os teus ossos." Provérbios 3:5-8
Feliz 2009 para todos!!!
quinta-feira, janeiro 01, 2009
quarta-feira, novembro 26, 2008
Minutos de sabedoria, com Calvin & Hobbes
Os blogs abaixo montaram duas listas do Top 10 - Tirinhas do Calvin, cm lições para a nossa vida.. Excelente coletânea, e incrivelmente apenas uma pequena mostra da genialidade do americano Bill Watterson. Dêem uma lida nas tiras selecionadas do garotinho mais crítico e do seu tigre imaginário / real de estimação.
Em português:
http://topismos.blogspot.com/2008/11/top-10-tirinhas-do-calvin-que-me.html
(este site, aliás, eh uma excente fonte de topismos, ou seja, a arte de elencar "top 10" de qualquer assunto)
Em inglês:
http://ladyrasta.wordpress.com/2008/11/21/top-ten-calvin-minutos-de-sabedoria/
Em português:
http://topismos.blogspot.com/2008/11/top-10-tirinhas-do-calvin-que-me.html
(este site, aliás, eh uma excente fonte de topismos, ou seja, a arte de elencar "top 10" de qualquer assunto)
Em inglês:
http://ladyrasta.wordpress.com/2008/11/21/top-ten-calvin-minutos-de-sabedoria/
terça-feira, novembro 04, 2008
Cristianismo Puro e Simples - I
"A principal coisa que aprendemos quado tentamos praticar as virtudes cristãs é que fracassamos. Se tínhamos a idéia de que Deus nos impunha uma espécie de prova na qual poderíamos merecer passar por tirar boas notas, essa idéia tem de se ser eliminada. Se tínhamos a idéia de uma espécie de barganha - a idéia de que poderíamos cumprir a parte que nos cabe no contrato e deixar Deus em dívida conosco, de tal modo que, por uma questão de justiça, ele ficasse obrigado a cumprir a parte dele -, ela deve ser eliminada também.
Creio que quantos possuem uma vaga crença em Deus acreditam, até se tornarem cristãos, nessa idéia da prova ou da barganha. O primeiro resultado do verdadeiro cristianismo é o de reduzir essa idéia a pó. Quando a vêem reduzida a pó, certas pessoas chegam à conclusão de que o cristianismo é um embuste e dele desistem. Essa gente parece imaginar que Deus é extremamente simplório. Na verdade, ele sabe de tudo isso. Uma das intenções do cristianismo é justamente reduzir essa idéia a pó. Deus está a espera do momento em que você vai descobrir que jamais conseguirá tirar a nota mínima para passar nesse exame, e não poderá jamais deixá-lo em dívida.
Com isso vem outra descoberta. Todas as faculdades que você possui, sua faculdade de pensar ou de mover os membros a cada momento, lhe são dadas por Deus. Mesmo se dedicasse cada momento de sua vida exclusivamente ao seu serviço, você não poderia dar-lhe nada que, em certo sentido, já não lhe pertencesse. Logo, quando uma pessoa diz que faz algo para Deus ou lhe dá algo, é como se fosse uma criança pequena que interpelasse o pai e lhe pedisse: " Papai, me dê cinqüenta centavos para lhe comprar um presente de aniversário." É claro que o pai dá o dinheiro e fica contente com o gesto do filho. Tudo é muito bonito e muito correto, mas só um imbecil acharia que o pai lucrou cinqüenta centavos com a transação. Quando o homem descobre essas duas coisas, Deus pode realmente começar a agir. É depois disso que a verdadeira vida começa. O homem agora está desperto."
C.S. Lewis (1942). P. 190-191.
Creio que quantos possuem uma vaga crença em Deus acreditam, até se tornarem cristãos, nessa idéia da prova ou da barganha. O primeiro resultado do verdadeiro cristianismo é o de reduzir essa idéia a pó. Quando a vêem reduzida a pó, certas pessoas chegam à conclusão de que o cristianismo é um embuste e dele desistem. Essa gente parece imaginar que Deus é extremamente simplório. Na verdade, ele sabe de tudo isso. Uma das intenções do cristianismo é justamente reduzir essa idéia a pó. Deus está a espera do momento em que você vai descobrir que jamais conseguirá tirar a nota mínima para passar nesse exame, e não poderá jamais deixá-lo em dívida.
Com isso vem outra descoberta. Todas as faculdades que você possui, sua faculdade de pensar ou de mover os membros a cada momento, lhe são dadas por Deus. Mesmo se dedicasse cada momento de sua vida exclusivamente ao seu serviço, você não poderia dar-lhe nada que, em certo sentido, já não lhe pertencesse. Logo, quando uma pessoa diz que faz algo para Deus ou lhe dá algo, é como se fosse uma criança pequena que interpelasse o pai e lhe pedisse: " Papai, me dê cinqüenta centavos para lhe comprar um presente de aniversário." É claro que o pai dá o dinheiro e fica contente com o gesto do filho. Tudo é muito bonito e muito correto, mas só um imbecil acharia que o pai lucrou cinqüenta centavos com a transação. Quando o homem descobre essas duas coisas, Deus pode realmente começar a agir. É depois disso que a verdadeira vida começa. O homem agora está desperto."
C.S. Lewis (1942). P. 190-191.
segunda-feira, outubro 27, 2008
Eleições - Parte 4
Acabou (no Brasil, desta vez).. mas na verdade só começou!
Em vários sentidos: primeiro porque é agora que começa realmente o que importa - o governo dos eleitos! Até agora não fizeram nada, só prometeram, criticaram, prometeram, ofenderam, sorriram, prometeram. Na maior parte dos casos, promessas bem vazias, sem preocupação com a possibilidade de efetivação, orçamento, responsabilidade fiscal, etc. Até agora só o jogo político, acertos, troca de cargos, mas nada de concreto.
"Essa eleição foi marcada pela canibalização recíproca dos candidatos, pela tentativa de desconstruir os rivais desnudando seu passado e expondo seus aliados indesejáveis. Esse excesso de sangue na arena ofuscou os programas políticos, as propostas para os municípios. A maioria dos eleitores não sabe como sua cidade será administrada nos próximos quatro anos." Gaudêncio Torquato - Veja (29/10/2008)
A minha parte otimista me lembra que isso faz parte, é importante para a concretização de uma democracia madura. A minha parte pessimista me lembra que é verdade, faz parte, o problema é que as outras partes não tem participado muito (perdão pela redundância!).
Daqui a alguns dias os EUA terão suas eleições. Pelo menos, o dia 04 de novembro é a data oficial. Sabemos que em vários estados o processo já começou. E os debates acalorados entre Obama e McCain já se arrastam por semanas..
Ontem perdi a hora pra votar. Estava viajando, não cheguei a tempo, e hoje fui visitar o TRE para justificar.. Não sentirei muita falta, assim como não senti falta nenhuma de ter servido o exército ou como não sentiria falta nenhuma de declarar o imposto de renda. São obrigações, não convicções. Acredito que seja assim para a grande maioria da população. Uma pena, mas cansei de escrever e pensar sobre isso.. Eleição, graças a Deus, só em 2010. Até lá, vamos ver se alguém trabalha!!!
Em vários sentidos: primeiro porque é agora que começa realmente o que importa - o governo dos eleitos! Até agora não fizeram nada, só prometeram, criticaram, prometeram, ofenderam, sorriram, prometeram. Na maior parte dos casos, promessas bem vazias, sem preocupação com a possibilidade de efetivação, orçamento, responsabilidade fiscal, etc. Até agora só o jogo político, acertos, troca de cargos, mas nada de concreto.
"Essa eleição foi marcada pela canibalização recíproca dos candidatos, pela tentativa de desconstruir os rivais desnudando seu passado e expondo seus aliados indesejáveis. Esse excesso de sangue na arena ofuscou os programas políticos, as propostas para os municípios. A maioria dos eleitores não sabe como sua cidade será administrada nos próximos quatro anos." Gaudêncio Torquato - Veja (29/10/2008)
A minha parte otimista me lembra que isso faz parte, é importante para a concretização de uma democracia madura. A minha parte pessimista me lembra que é verdade, faz parte, o problema é que as outras partes não tem participado muito (perdão pela redundância!).
Daqui a alguns dias os EUA terão suas eleições. Pelo menos, o dia 04 de novembro é a data oficial. Sabemos que em vários estados o processo já começou. E os debates acalorados entre Obama e McCain já se arrastam por semanas..
Ontem perdi a hora pra votar. Estava viajando, não cheguei a tempo, e hoje fui visitar o TRE para justificar.. Não sentirei muita falta, assim como não senti falta nenhuma de ter servido o exército ou como não sentiria falta nenhuma de declarar o imposto de renda. São obrigações, não convicções. Acredito que seja assim para a grande maioria da população. Uma pena, mas cansei de escrever e pensar sobre isso.. Eleição, graças a Deus, só em 2010. Até lá, vamos ver se alguém trabalha!!!
quinta-feira, outubro 16, 2008
Eleições - Parte 3
Momento "conversa de boteco":
"- O Obama vai ganhar, você viu?
- Pois é, tô torcendo por ele. Essa guerra do Iraque tem que acabar!! Já morreu tanta gente..
- É, e agora com essa crise das bolsas, o McCain não tem muita chance mesmo, né? Você viu o debate ontem na RecordNews?
- Não, preferi assistir o jogo do Brasil.."
Bem, apesar de o jogo do Brasil contra a Colômbia pelas Eliminatórias ter sido terrível, provavelmente o nosso amigo escolheu corretamente. Afinal de contas, ele não entende patavinas do que acontece no processo eleitoral americano e muito menos qual a relação entre uma guerra no Oriente Médio, o preço das commodities (se é que ele conhece essa palavra!) e a crise em Wall Street e nas bolsas de valores ao redor do mundo. É o tipo de informação que nada acrescenta para a maior parte das pessoas.
E este período do ano está sendo muito triste. Além da corrida eleitoral do segundo turno em muitas cidades do país (inclusive as três mais importantes e essa em que eu moro), as notícias giram também sobre crise financeira e eleição nos EUA, eliminatórias da Copa do Mundo de Futebol, seqüestro em Santo André. E a gente ouve cada calamidade da boca das pessoas! Se já não bastassem as crises, agora temos que conviver com as opiniões de todos os Zés.
Em nosso país, e em muitos outros com certeza, o acesso a informação é cada vez maior. Já temos há alguns meses o primeiro canal de telejornalismo 24h na TV aberta. Já tínhamos excelentes telejornais, jornais escritos, revistas, sites, etc. Mas isso não basta. Pessoas incapazes de relacionar e selecionar as informações recebidas não atingem os próximos degraus da compreensão. Apenas escutam e copiam opiniões. Dizemos que o brasileiro tem memória curta, e na hora da eleição percebemos exatamente isso: se o candidato a reeleição faz algo há 1 mês da eleição, quer dizer que ele governou bem, e não importa muito se ele passou o resto do mandato coçando! Ou pior...
Quando o Zé explicita uma opinião sobre a campanha eleitoral dos americanos ou seus motivos para votar em qualquer pessoa na campanha para vereador, fica evidente o quanto falta para que o Brasil atinja o nível de democracia que alardeia. Dar o direito de votar ao Zé não apenas é inútil quanto é irresponsável.
Mas não acredito que a solução seja tirar o direito ao voto, e sim capacitar os eleitores para o voto, a leitura, a análise, as escolhas. Quando tivermos um eleitorado que saiba procurar as informações relevantes, ler e entender o que lê, comparar as informações e as opiniões, neste momento saberemos qual é a vontade do povo em uma eleição. Só neste momento haverá uma "vontade". Enquanto isso, ganha quem tiver o melhor marqueteiro!
"- O Obama vai ganhar, você viu?
- Pois é, tô torcendo por ele. Essa guerra do Iraque tem que acabar!! Já morreu tanta gente..
- É, e agora com essa crise das bolsas, o McCain não tem muita chance mesmo, né? Você viu o debate ontem na RecordNews?
- Não, preferi assistir o jogo do Brasil.."
Bem, apesar de o jogo do Brasil contra a Colômbia pelas Eliminatórias ter sido terrível, provavelmente o nosso amigo escolheu corretamente. Afinal de contas, ele não entende patavinas do que acontece no processo eleitoral americano e muito menos qual a relação entre uma guerra no Oriente Médio, o preço das commodities (se é que ele conhece essa palavra!) e a crise em Wall Street e nas bolsas de valores ao redor do mundo. É o tipo de informação que nada acrescenta para a maior parte das pessoas.
E este período do ano está sendo muito triste. Além da corrida eleitoral do segundo turno em muitas cidades do país (inclusive as três mais importantes e essa em que eu moro), as notícias giram também sobre crise financeira e eleição nos EUA, eliminatórias da Copa do Mundo de Futebol, seqüestro em Santo André. E a gente ouve cada calamidade da boca das pessoas! Se já não bastassem as crises, agora temos que conviver com as opiniões de todos os Zés.
Em nosso país, e em muitos outros com certeza, o acesso a informação é cada vez maior. Já temos há alguns meses o primeiro canal de telejornalismo 24h na TV aberta. Já tínhamos excelentes telejornais, jornais escritos, revistas, sites, etc. Mas isso não basta. Pessoas incapazes de relacionar e selecionar as informações recebidas não atingem os próximos degraus da compreensão. Apenas escutam e copiam opiniões. Dizemos que o brasileiro tem memória curta, e na hora da eleição percebemos exatamente isso: se o candidato a reeleição faz algo há 1 mês da eleição, quer dizer que ele governou bem, e não importa muito se ele passou o resto do mandato coçando! Ou pior...
Quando o Zé explicita uma opinião sobre a campanha eleitoral dos americanos ou seus motivos para votar em qualquer pessoa na campanha para vereador, fica evidente o quanto falta para que o Brasil atinja o nível de democracia que alardeia. Dar o direito de votar ao Zé não apenas é inútil quanto é irresponsável.
Mas não acredito que a solução seja tirar o direito ao voto, e sim capacitar os eleitores para o voto, a leitura, a análise, as escolhas. Quando tivermos um eleitorado que saiba procurar as informações relevantes, ler e entender o que lê, comparar as informações e as opiniões, neste momento saberemos qual é a vontade do povo em uma eleição. Só neste momento haverá uma "vontade". Enquanto isso, ganha quem tiver o melhor marqueteiro!
segunda-feira, outubro 06, 2008
Eleições - Parte 2
Bem, passamos da primeira parte agoniante das eleições municipais no Brasil. Hoje, segunda-feira, é dia de análises, comemorações, muita sujeira na rua, e um "gostinho residual" de ressaca.
As análises são feitas em todos os telejornais, jornais impressos, revistas semanais, nas conversas de boteco, pelos meus alunos e colegas na academia, no ônibus e em todos os outros lugares do país. E essa é uma das vantagens dessas eleições municipais. O país participa como um todo, afinal todos (sem exceção)tem interesse nos resultados. Cada pequeno município escondido teve suas campanhas, seu interesse, a angústia da apuração. Ouvi inclusive de um pequeno município aqui em Santa Catarina em que a "angústia" durou apenas 7 minutos. às 17:07 já se sabia o resultado! Maravilhas da Urna Eletrônica!
Mas não posso ficar satisfeito com a análise de boteco! Se o Zé (analfabeto, desdentado, pai de 11 filhos) acha que o resultado foi bom, porque o novo prefeito vai asfaltar a sua rua, tudo bem! Mas que os formadores de opinião embasem suas análises em fatores tão pequenos quanto esse, é inaceitável! E nós, podemos nos contentar com análises do gênero: "este rouba mas faz", "este pelo menos fez alguma coisa", "este tem influência no governo do estado / país, e via trazer algum dinheiro pra cá", "este é amigo da minha classe / igreja / profissão", "este é simpático", "este é amigo / marido / namorado / parente de fulano"???
Infelizmente, é basicamente só isto que tenho ouvido! Desde ontem, praticamente todas as pessoas que comentam as eleições fazem análises desse padrão!
Mas vou fazer duas perguntas relacionadas a eleição municipal. São difíceis e provavelmente complicam muito a escolha de um candidato. Mas sem a resposta a elas, é ridículo pensarmos em alguma utilidade para o processo eleitoral. Se os critérios para escolhermos um governante são tão inconsistentes, qual é a diferença entre nós escolhermos ou uma comissão eleitoral escolher? Em tese, a chance de acertar é praticamente nula! A menos que consideremos a possibilidade de uma comissão justa e imparcial: neste caso, a chance de uma comissão acertar aumenta exponencialmente! As nossas chances, no entanto...
As perguntas são: "Qual é o projeto de cidade que o candidato possui?" e "Quais são as minhas expectativas para a cidade?". Em geral, ninguém nunca respondeu a segunda pergunta de forma honesta. Ninguém parou para pensar quais são as necessidades do município e elencá-las pensando numa visão de médio e longo prazos. Se nunca respondemos a segunda, mesmo que algum candidato responda satisfatoriamente a primeira, quais são os critérios para escolhermos.
Já avançamos muito como povo brasileiro. Quero deixar claro que não defendo a volta ao colégio eleitoral, a ditadura ou qualquer forma de governo tipicamente sulamericana. Mas ainda estamos diante de um longo caminho! Colocar o exército nas ruas do Pará ou do Rio de Janeiro apenas prova que o trabalho de democratização brasileira ainda será longo. Eleger governantes que utilizam a máquina pública pra fazer campanha ou que só trabalham com afinco no último ano para serem reeleitos, provam o mesmo desafio.
As análises são feitas em todos os telejornais, jornais impressos, revistas semanais, nas conversas de boteco, pelos meus alunos e colegas na academia, no ônibus e em todos os outros lugares do país. E essa é uma das vantagens dessas eleições municipais. O país participa como um todo, afinal todos (sem exceção)tem interesse nos resultados. Cada pequeno município escondido teve suas campanhas, seu interesse, a angústia da apuração. Ouvi inclusive de um pequeno município aqui em Santa Catarina em que a "angústia" durou apenas 7 minutos. às 17:07 já se sabia o resultado! Maravilhas da Urna Eletrônica!
Mas não posso ficar satisfeito com a análise de boteco! Se o Zé (analfabeto, desdentado, pai de 11 filhos) acha que o resultado foi bom, porque o novo prefeito vai asfaltar a sua rua, tudo bem! Mas que os formadores de opinião embasem suas análises em fatores tão pequenos quanto esse, é inaceitável! E nós, podemos nos contentar com análises do gênero: "este rouba mas faz", "este pelo menos fez alguma coisa", "este tem influência no governo do estado / país, e via trazer algum dinheiro pra cá", "este é amigo da minha classe / igreja / profissão", "este é simpático", "este é amigo / marido / namorado / parente de fulano"???
Infelizmente, é basicamente só isto que tenho ouvido! Desde ontem, praticamente todas as pessoas que comentam as eleições fazem análises desse padrão!
Mas vou fazer duas perguntas relacionadas a eleição municipal. São difíceis e provavelmente complicam muito a escolha de um candidato. Mas sem a resposta a elas, é ridículo pensarmos em alguma utilidade para o processo eleitoral. Se os critérios para escolhermos um governante são tão inconsistentes, qual é a diferença entre nós escolhermos ou uma comissão eleitoral escolher? Em tese, a chance de acertar é praticamente nula! A menos que consideremos a possibilidade de uma comissão justa e imparcial: neste caso, a chance de uma comissão acertar aumenta exponencialmente! As nossas chances, no entanto...
As perguntas são: "Qual é o projeto de cidade que o candidato possui?" e "Quais são as minhas expectativas para a cidade?". Em geral, ninguém nunca respondeu a segunda pergunta de forma honesta. Ninguém parou para pensar quais são as necessidades do município e elencá-las pensando numa visão de médio e longo prazos. Se nunca respondemos a segunda, mesmo que algum candidato responda satisfatoriamente a primeira, quais são os critérios para escolhermos.
Já avançamos muito como povo brasileiro. Quero deixar claro que não defendo a volta ao colégio eleitoral, a ditadura ou qualquer forma de governo tipicamente sulamericana. Mas ainda estamos diante de um longo caminho! Colocar o exército nas ruas do Pará ou do Rio de Janeiro apenas prova que o trabalho de democratização brasileira ainda será longo. Eleger governantes que utilizam a máquina pública pra fazer campanha ou que só trabalham com afinco no último ano para serem reeleitos, provam o mesmo desafio.
quarta-feira, outubro 01, 2008
Eleições - Parte 1
Bem, minha nova empreitada nas próximas semanas será discorrer um pouco sobre o processo eleitoral que se abate sobre o país no próximo domingo. Pode parecer que estou atrasado, mas não concordo. Passei as últimas semanas lendo e ouvindo muita coisa, e a minha discussão mental não se restringe ao primeiro turno das eleições municipais e nem mesmo à exclusividade do pleito no Brasil.
No próximo domingo, dia 5 de outubro, o processo eleitoral atinge o seu primeiro clímax no Brasil. Em Florianópolis, onde moro, já sabemos que haverá o segundo clímax, algumas semanas depois. E em muitas outras cidades a situação será a mesma. Além disso, o país mais rico do mundo também está passando pelo processo. Nos Estados Unidos, a eleição está marcada para o dia 5 de novembro, mas já começou em Ohio (loucuras de um sistema eleitoral bem confuso!).
Quanto à minha descrição inicial deste processo ("que se abate"), é isso mesmo que eu quis dizer. Não quero soar reacionário, amigo da ditadura, e nem socialista ou alguma bizarrice história do gênero. Mas não posso me abster da percepção de que o processo eleitoral brasileiro é ufanista mas não é democrático. Não em todas as suas conseqüências.
Um fator interessantíssimo (só pros teóricos do sistema!) é o nosso método representativo, em que você vota em um candidato e elege outro (ou outros!). Cada vez que voto em alguém para o Poder Legislativo (e isso ocorre em todas as eleições, infelizmente) a minha raiva é saber que o meu voto não é o que todos dizem! Eu, individualmente, não estou cooperando para definir a linha de raciocínio dos legisladores nos próximos 4 anos. Apenas dou a minha contribuição para a distribuição de cargos entre partidos tão iguais que passam a não fazer diferença. E, se isso é incompreensível para mim, imaginem para aqueles que não lêem e não compreendem o mundo a sua volta. Eles não vêem nenhum motivo para não vender seu voto ou não votar em qualquer mané com nome bonito e dinheiro no bolso. Na realidade, nem eu enxergo esses motivos, na maior parte do tempo!
Nos próximos posts quero enfatizar algo mais sobre o processo atual e suas discrepâncias, nacionalmente e principalmente aki na Grande Florianópolis, uma mistura sulista do caudilhismo portenho, coronelismo nordestino e uma esquerda fraquíssima, além dos aventureiros de sempre. Com a diferença que é uma região altamente promissora, com desafios pungentes para não perder o bonde.
No próximo domingo, dia 5 de outubro, o processo eleitoral atinge o seu primeiro clímax no Brasil. Em Florianópolis, onde moro, já sabemos que haverá o segundo clímax, algumas semanas depois. E em muitas outras cidades a situação será a mesma. Além disso, o país mais rico do mundo também está passando pelo processo. Nos Estados Unidos, a eleição está marcada para o dia 5 de novembro, mas já começou em Ohio (loucuras de um sistema eleitoral bem confuso!).
Quanto à minha descrição inicial deste processo ("que se abate"), é isso mesmo que eu quis dizer. Não quero soar reacionário, amigo da ditadura, e nem socialista ou alguma bizarrice história do gênero. Mas não posso me abster da percepção de que o processo eleitoral brasileiro é ufanista mas não é democrático. Não em todas as suas conseqüências.
Um fator interessantíssimo (só pros teóricos do sistema!) é o nosso método representativo, em que você vota em um candidato e elege outro (ou outros!). Cada vez que voto em alguém para o Poder Legislativo (e isso ocorre em todas as eleições, infelizmente) a minha raiva é saber que o meu voto não é o que todos dizem! Eu, individualmente, não estou cooperando para definir a linha de raciocínio dos legisladores nos próximos 4 anos. Apenas dou a minha contribuição para a distribuição de cargos entre partidos tão iguais que passam a não fazer diferença. E, se isso é incompreensível para mim, imaginem para aqueles que não lêem e não compreendem o mundo a sua volta. Eles não vêem nenhum motivo para não vender seu voto ou não votar em qualquer mané com nome bonito e dinheiro no bolso. Na realidade, nem eu enxergo esses motivos, na maior parte do tempo!
Nos próximos posts quero enfatizar algo mais sobre o processo atual e suas discrepâncias, nacionalmente e principalmente aki na Grande Florianópolis, uma mistura sulista do caudilhismo portenho, coronelismo nordestino e uma esquerda fraquíssima, além dos aventureiros de sempre. Com a diferença que é uma região altamente promissora, com desafios pungentes para não perder o bonde.
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